Escrevo-te, hoje, por ser para ti um dia especial...não sei ao certo as dimensões que esta carta poderá tomar, mas sinto uma enorme necessidade de dizer tudo o que ficou para ser dito, de colocar tudo em pratos limpos, se é que me entendes.
Nem sei ao certo por onde começar, tenho mil palavras, dezenas de situações, e um ou outro recado que te quero mesmo deixar.
Sabes bem, ou melhor, sabias bem...tudo, como se eu fosses tu, como se previsses tudo o que eu diria ou a forma como iria reagir. Tu sabias sempre como cuidar de mim, como me deixar bem lá no alto, nas tão bem ditas nuvens...sabias do que gostava e o que odiava, conhecias-me decore, arrisco dizer. Não, nunca fui a namorada perfeita, nem nunca serei uma pessoa perfeita sequer...mas tu também não o foste e certamente também não o irás ser...mas as nossas imperfeições, todos os nossos defeitos, completavam-se...e sabes bem que aos olhos de todos, sempre fomos um casal maravilhoso, perfeito como diriam.
Se realmente o fomos ? Talvez ,em tempos, eu afirmasse que sim, cega de amor... mas não, nunca o fomos, nem ninguém o é. Adorava poder recuar no tempo, prevenir-me contra certas situações que mesmo diante de mim, eu não via...por estar apaixonada por ti, ou simplesmente por não querer ver. Às vezes o pior cego é aquele que não quer ver, mas muitas vezes ser cego é uma escapatória à dor, tu até sabes disso. Engoli tanto e tantas vezes o meu orgulho por ti... tu não tens noção, de quantas vezes eu chorei de raiva, de saudade, ciúme, ou simplesmente de medo...eu tinha tanto medo de te perder, de por fim ao meu sonho, aquele nosso sonho, ao paraíso que iamos construindo dia após dia, mês após mês...eu chorei tanto por ti.
No entanto, no meio de tantas lágrimas, também foi por ti e contigo que esbocei milhares de doces e sinceros sorrisos, sabes bem quanta alegria me deste. Todos os nossos pequenos grandes momentos, as nossas coisas, nossas picardias, insultos patéticos, brincadeiras sem nexo e birras sobre birras...eu amava tudo em ti, desde o sorriso ao simples olhar, do toque trémulo até à fadiga de um abraço, eras para mim, um porto seguro, como nunca antes tivera. Sempre to disse, foste o único que realmente amei, e não...apesar de tudo, não mudaria esse teu jeito tímido ou a tua santa paciência, apesar de saberes que muitas vezes, esses foram os motivos para as nossas desavenças. Eu tinha um orgulho em ti que me dominava. Os meus olhos brilhavam ao ver-te, ao pensar em ti, ou até mesmo em nós. Contudo, o tempo passou e foi levando com ele pedaços de um nós que a cada dia se tornava mais fraco. Não te vou culpar, e desculpa se por vezes, perdida, de cabeça quente já o fiz. Não tens culpa de uma coisa que não podes, nem tu nem eu, controlar. Eu compreendo tudo, acredita. Não te vou julgar por mais nada nem ofender...só te peço que reflictas tal como eu o fiz, e aí, tu próprio irás tirar as tuas conclusões do que está certo ou errado. Sim, põe a mão na consciência e pensa se realmente, em certos momentos, foste correto comigo ... Não vou pronunciar motivos, nem argumentos para nada, só te digo isto : reflecte sobre o nosso passado. Pensa, como eu tantas vezes pensei, não mudarias nada? Enfim...é passado, e é lá que a nossa história pertence...mas não a deixes morrer, não assim, caída no esquecimento. Escrevo-te para te desejar os parabéns...lembras-te como tínhamos planeado este dia? Planos são isso mesmo projectos de um futuro que não sabemos ao certo se se irá realizar. Pronto, desejo-te as maiores felicidades do mundo, e aconselho-te que não erres com mais ninguém como erras-te comigo, como nós erramos...luta até ao fim, sem medos ou vergonhas, luta pelo que queres. Não penses que não me custa falar de um nós, nem que todos os sorrisos que esboço são verdadeiros, mas sabes? vão sendo, tal e qual eu vou recuperando disto tudo...tem força, e sê feliz...talvez um dia, nos consigamos olhar de novo nos olhos, e enfrentar a presença um do outro...até lá, fica bem.
